Dolár Comercial : --
Soja (CBOT) : --
Milho (B3) : --
Algodão (NY) : --
Prêmio Soja Paranaguá : --
Prêmio Milho Santos : --
Petróleo : --
Milho ESALQ : --
Soja Paranaguá : --
Milho Santos : --

MERCADOS NA ÁSIA: Mercado recua das máximas de olho no USDA. Clima benéfico nos EUA

Por: Equipe Agrinvest
Artigo, Grãos
Publicado em: 11/05/2021 07:56

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Clima benéfico nos EUA. O USDA divulgará o avanço do plantio e seu relatório de oferta e demanda nessa semana. Carne suína na China sob forte pressão. Destaques:


① MERCADOS RECUAM DAS MÁXIMAS DE OLHO NO USDA E NO CLIMA BENÉFICO

O USDA divulgou ontem seu relatório de progresso das lavouras, trazendo novamente rápida evolução dos trabalhos de campo. O plantio dentro da janela ideal, somado ao clima benéfico, ajuda a construir um sentimento de alta produtividade para o milho e a soja, pressionando as cotações na CBOT.

Saiba mais em USDA: Progresso das lavouras 10/Maio 

Além desse relatório, o USDA divulgará nessa 4ª-feira seu primeiro relatório de oferta e demanda para a temporada 2021-22, trazendo cautela aos investidores após 4 semanas de ganhos para os futuros da soja e milho na CBOT. No entanto, os preços na CBOT continuam operando em módulo de PUXA-EMPURRA, uma vez que a alta do milho acaba puxando a soja, a qual por sua vez acaba puxando o algodão. O trabalho dos preços continua sendo “comprar” área até o dia 30 de junho, quando então o USDA divulgará sua primeira revisão dos números de intenção de plantio divulgados em março passado.

Milho: Até então, dois pontos chamam a atenção no rally do milho na CBOT, 1) o clima seco no Brasil e provável desvio da demanda para os demais concorrentes, sendo Argentina e Ucrânia ainda esse ano e os EUA a partir de fevereiro do próximo ano; 2) o baixo nível do rio Paraná, principal rota de escoamento do milho argentino, está baixando por falta de chuvas, reduzindo assim a competitividade da mesma ao aumentar a diferença de preço entre navios de 30 a 40 mil toneladas em relação a navios com mais de 60 mil toneladas. Tudo corrobora para o sentimento de concentração da demanda global nos EUA, o que acaba fazendo necessário preços mais elevados a fim de “comprar” área de plantio e redução da demanda;

Saiba mais sobre os efeitos do baixo nível do rio Paraná em ARTIGO: Nível Baixo do Rio Paraná e seus impactos 

Soja: A soja na CBOT continua atrelada ao movimento do milho. A disputa de área ainda é o principal driver para as cotações de ambas as culturas. No entanto, a soja americana está muito cara, viabilizando a importação de soja do Brasil e redução da demanda de importantes compradores do grão americano. Indústrias processadoras no México estão cancelando soja americana, repondo com soja brasileira mais barata. Na semana passada traders no Brasil comentaram sobre a compra de 06 barcos de soja brasileira por indústrias americanas, somando assim 09 barcos até esse momento. O volume não é grande, mas acaba mostrando que a conta é muito favorável para as indústrias americanas, tendo em vista a combinação do grão americano extremamente caro no interior e a soja brasileira barata nos portos.

Saiba mais sobre a disputa de área nos EUA em ARTIGO: A disputa de área nos EUA 2021-22

Algodão: Os futuros do algodão em NY recebem suporte pelo mesmo motivo, a disputa de área no Sul dos EUA principalmente com a soja. A soja novembro superou pela 1ª vez a barreira dos 14 dólares por bushel, enquanto o algodão dezembro continua próximo dos 85 centavos por libra-peso, indicando que a pluma pode ter perdido área para a soja em algumas regiões ao sul dos EUA.

Demanda: A demanda global por milho e soja está perdendo força. Mercados ao redor do globo continuam substituindo o milho caro por trigo e outros cereais mais baratos, reduzindo assim o espaço do milho nas formulações das rações. Empresas Sul Coreanas nessa semana voltaram a abrir licitação de compra para trigo ração, produto que está chegando na Ásia com desconto de $20 por tonelada em relação ao milho. E para a soja, não é diferente. A demanda por soja por parte da China está muito fraca, fruto das margens péssimas e pressão sobre o setor de suínos. A soja cara e a baixa demanda interna por farelo na China explicam as margens negativas em torno de $20 por tonelada para a soja brasileira de maio a agosto e de $5 a $15 de margem negativa a partir da soja americana para embarques de setembro a dezembro. A demanda pelo algodão americano também caiu nessas últimas semanas. As vendas semanais de algodão continuam recuando, assim como também os embarques. No Brasil os basis do algodão também recuaram, uma vez que indústrias comentam que estariam bem abastecidas.

Saiba mais em USDA: Preços altos destruindo a demanda. Vendas negativas 

  • ALGODÃO (DEZ) -0,49 @ 85,56 ¢/lb
  • MILHO (JUL) +4.75 @ 716.50 ¢/bu
  • SOJA (JUL) +7.50 @ 1595.00 ¢/bu

② FUTUROS EM DALIAN ACOMPANHAM A CBOT

A Bolsa de Dalian recuam nessa 3ª-feira de olho na queda do óleo de palma na Malásia e a agenda do USDA para essa semana. Futuros do farelo, milho e óleo em Dalian encerram a semana passada em alta no embalado da continuidade do rally da CBOT, semana em que os futuros do óleo de soja foram o destaque de valorização com mais 5% no acumulado, acompanhando o forte rally dos demais óleos vegetais.

No entanto, mesmo com a alta do óleo de soja em Dalian, as margens de esmagamento das indústrias locais continuam “sangrando”, reduzindo muito o apetite por novas compras no Brasil para embarques mais curtos. A demanda por soja americana para safra nova também perdeu ritmo nas últimas semanas.

Margens: A alta dos futuros da soja nas últimas seções agravou ainda mais o problema para as indústrias chinesas. As margens de esmagamento a partir da soja importada na China estão péssimas, tanto do Brasil como também dos EUA. A combinação da alta da soja na CBOT, alta do frete marítimo e baixa demanda interna por farelo de soja prejudicam muito as margens de processamento locais, limitando a demanda por novas compras para embarques mais curtos no Brasil e mais longos nos EUA. A demanda chinesa está melhor para safra 2022 no Brasil, onde segundo traders, a demanda está mais “quente”.

Além disso, a maior utilização de cereais com teor de proteína maior em relação ao milho ajuda a reduzir a demanda por farelo nas rações.

Suínos: Futuros do suíno vivo na Bolsa de Dalian recuam forte novamente, após queda de quase 7% nessa 2ª-feira, maior queda diária desde o lançamento dos contratos em janeiro desse ano. A pressão vem por conta do aumento da oferta de animais mais pesados e temores de aumento do número de zoonoses, incentivando o aumento de abates por parte dos produtores. Segundo comerciantes locais, a confiança dos produtores está muito baixa, fruto das zoonoses, custos mais elevados e pressão sobre os preços da carne - sazonalmente, o início da temporada de chuvas no Sul da China aumenta os casos de zoonoses.

  • FARELO (Dalian) -10 @ 3674 CNY/ton;
  • ÓLEO DE SOJA (Dalian) -78 @ 8850 CNY/ton;
  • MILHO (Dalian) -2 @ 2831 CNY/ton;
  • SUÍNO VIVO -800 @ 24950 CNY/t

Saiba mais sobre a baixa demanda na China por farelo em AGROCHINA: As vendas de farelo voltaram a cair. Margens muito ruins 

Saiba mais sobre o mercado de suínos na China em AGROCHINA: Preços do suíno na China desabam 


③ A ÁREA DE MILHO NA CHINA DEVERÁ CRESCER

A área de milho na China deverá crescer para a próxima temporada. Reguladores deverão elevar o piso dos preços do milho ao produtor, buscando a redução da dependência do milho importado.

A estimativa é de aumento da área de milho e redução da área de soja para temporada 2021-22.

Saiba mais sobre a área de plantio na China para 2021-22 em AGROCHINA: Governo Chinês aposta no aumento da área de milho 


④ ÓLEOS VEGETAIS RECUAM

Futuros do óleo de palma na Malásia recuam mais de 1,6% nesse início de semana após renovarem máximas de 13 anos na semana anterior. Os estoques na Malásia, 2º maior produtor e exportador global do produto, cresceram inesperadamente em abril para 1,55 milhão de toneladas, maior nível em cinco meses,

Mesmo com a redução da disponibilidade de trabalhadores os estoques cresceram, sinal de que a demanda está menor, acelerando o movimento de queda dos futuros.

Saiba mais sobre o aperto global dos óleos em ARTIGO: Mais sinais de inflação de alimentos 

  • ÓLEO DE SOJA (CBOT) -0,44% @ 63,56 ¢/lp
  • ÓLEO DE PALMA -0,53% @ 4835 Rinngit/t

⑤ MARGENS BOAS... ATÉ QUANDO

A Bunge divulgou seu balanço do 1º trimestre, reportando forte crescimento do faturamento em lucro. A melhora se deve sobretudo à forte demanda global por óleos vegetais, resultando em margens muito boas em suas plantas espalhadas nas Américas.

No entanto, a melhora das margens se deve a dois pontos muito importantes e que podem mudar para esse ano, a retomada da participação da Argentina nas exportações de derivados e a baixa demanda por soja por parte da China.

Saiba mais sobre esse cenário em ARTIGO: O que a Bunge tem a nos dizer 


⑥ OS PREÇOS ALTOS ESTÃO FAZENDO SEU TRABALHO

Os preços altos estão fazendo seu trabalho, incentivando o deslocamento da demanda e aumento da área global de oleaginosas e cereais:

  • Brasil: Confirmada importação de mais 01 navio de milho da Argentina para embarque final de maio, totalizando assim 08 barcos até então;
  • Canadá: Intenção de plantio aponta para aumento de área de canola e cevada;
  • EUA: Comentário do CEO da ADM acena para expectativa de revisão para cima na área de milho e soja nos EUA;
  • Importações: Os altos preços estão incentivando a importação de milho e soja por parte dos EUA. Já foram confirmados de três barcos de soja do Brasil e 200 mil toneladas de milho da Argentina. Para a soja, traders comentaram sobre a compra de 06 barcos de soja brasileira por indústrias americanas, somando assim 09 barcos até esse momento;
  • Substituição: Mercados na Ásia têm dado preferência ao trigo do Leste Europeu e Austrália nas rações, reduzindo o uso do milho;
  • Substituição de origem: O México, importante comprador de soja e farelo dos EUA, está cancelando compras de soja dos EUA, repondo com soja brasileira mais barata. O México ainda possui 1,3 milhão de toneladas de soja americana comprada, mas ainda não carregada para a atual temporada;

Saiba mais sobre o papel dos preços altos em ALERTA: Preços altos fazendo seu trabalho - Atualização 


⑧ MERCADO INTERNACIONAL DO MILHO

Empresas coreanas voltaram a comprar milho nas últimas duas semanas, validando os atuais preços altos na CBOT e também dos prêmios nas principais origens.

No entanto, a substituição continua. Grandes importadores de milho ao redor do globo continuam substituindo milho por trigo. Ontem foi a vez da Tunísia dar preferência ao trigo mais barato. O país comprou 55 mil toneladas de trigo com desconto de $25 por tonelada em relação ao milho. Filipinas está buscando ofertas para 455 mil toneladas de trigo.

China: A substituição do uso de milho por trigo e cevada nas rações na China, cereais que possuem teor de proteína maior, está reduzindo por tabela o uso de farelo de soja, prejudicando a demanda interna pelo derivado da soja. O trigo está sendo negociado com desconto de 10% a 15% em relação ao preço do milho nas principais praças consumidoras chinesas. O governo chinês divulgou uma série de recomendações e novos padrões de uso e substituição de milho e farelo por ingredientes substitutos para as principais regiões consumidoras, recomendações que parecem já estar interferindo no comportamento do mercado interno na China.

Saiba mais sobre essa dinâmica em COMBO: Corn Round, PPE do milho e Estratégia para consumidores 


⑥ BRASIL IMPORTANTANDO MILHO DA ARGENTINA

A conta continua fechando. Corretores reportaram na última 6ª-feira a importação de 01 navio de milho da Argentina para embarque final de maio a preços próximos de $300 por tonelada CNF Brasil. O milho importado chegará no Brasil entre R$ 103,00 a R$ 104,00 CIF indústrias em SC e RS contra preços no diferido CIF indústria para o mesmo período acima de R$ 110,00 +ICMS.

Saiba mais em CORN ROUND: 08 barcos de milho importados já confirmados 


⑩ MILHO B3

Futuros do milho na B3 recuaram nessa 2ª-feira, recebendo pressão do indicador Esalq e chuvas no Sul do Brasil e Paraguai. O indicador ainda está abaixo do contrato maio, trazendo pressão sobre o contrato maio, o qual será liquidado pelo indicador em alguns dias.

A curva dos futuros na B3 está “fletenado”, um claro sinal de que o mercado vê necessidade de racionamento durante o ano todo. O mercado físico brasileiro continua da mesma forma, produtores esperando chuvas, mantendo o mercado vazio de ofertas para entrega futura.

São Paulo: Corretores confirmaram na semana passada queda no nível das ofertas no mercado diferido em São Paulo, aproximando as pontas entre vendedor e comprador.

Clima: Chuvas na semana passada beneficiaram o PY, Oeste do PR e uma pequena parte do MS. Modelos mostram mais chuvas para essa semana para essas mesmas regiões, podem avançar até SP. No entanto, quase nenhuma chuva é prevista para GO e boa parte do MT para os próximos 15 dias, o que deverá manter a forte pressão sobre as produtividades do milho. A oferta de milho no Brasil deverá ser bem menor em relação à inicialmente prevista, reforçando a necessidade de racionamento da demanda, principalmente na exportação. A reversão de lotes da exportação precisa ocorrer em volumes maiores.

Saiba mais sobre o clima em VÍDEO do clima 10/maio 

PPI: A queda do câmbio e a alta dos preços do milho no mercado interno brasileiro continua viabilizando a importação de milho do Paraguai e da Argentina. Muitas indústrias no Sul do Brasil estudam a importação de milho da Argentina para junho, tendo em vista os preços elevados e falta de ofertas no mercado interno.

O Presidente da Cargill no Brasil comentou sobre a possibilidade cada vez maior de reversão de lotes da exportação para o mercado interno, movimento que deverá trazer mais oferta para o mercado brasileiro.

  • ESALQ -0,33 @ 101,23 R$/saca

Conteúdo: soja, milho
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