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📊 Gráfico do Dia: Brasil segue à luz de velas

Por: Thiago Davino
Artigo, Macro
Publicado em: 25/08/2021 09:56

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O IBGE divulgou há pouco o IPCA-15 de agosto, que registrou alta mensal no período de 0,89%, acima do esperado pelo mercado (0,82%) e do reportado em julho (0,72%), sinalizando aceleração da inflação no país. Vale mencionar, que essa é a maior alta mensal para esse mês desde 2002 (1,00%).

No acumulado do ano, a inflação já registra alta de 5,81% e no acumulado em 12 meses subiu 0,72 p.p., passando de 8,59% para 9,30%, bem acima do teto da meta (5,25%).


ENERGIA E COMBUSTÍVEIS PUXAM INFLAÇÃO EM MAIO

Dos nove grupos pesquisados, oito registraram alta mensal. Pelo segundo mês seguido, o maior impacto inflacionário (0,31 p.p.) em agosto foi do grupo habitação, com forte alta mensal de 1,97%, após disparada de 2,14% no mês anterior.

O reajuste de 52% no valor adicional da bandeira vermelha patamar 2, fez com que o custo a cada 100 kWh consumido passasse de R$ 6,243 para R$ 9,492, trazendo um incremento no preço da energia elétrica no país de 5,00%, após disparada de 4,79% em julho.

Vale mencionar, que o reajuste do valor adicional passou a valer em 1º de julho e havia sido captado parcialmente no número do IPCA-15 de julho, já que naquele mês a variação do preço foi capturada entre os dias 15 de junho e 13 de julho. Por isso, ainda teve impacto esse reajuste sobre o índice de agosto.

Além da energia, outros itens trouxeram pressão inflacionária para a casa dos brasileiros. O preço do botijão de gás disparou 3,79% e do gás encanado saltou 0,73%.

Outro grupo que teve importante impacto foi transportes, com alta de 1,11%, após salto de 1,07% em julho. O impacto desse grupo sobre o índice geral foi de 0,23 ponto percentual. Os itens que mais subiram nesse grupo foram: gasolina (2,05%), etanol (2,19%) e óleo diesel (1,37%). Em contrapartida, gás veicular registrou queda de 0,51%.

Vale salientar que a gasolina acumula forte alta de 39,52% em 12 meses, reflexo da alta do preço do petróleo no mercado internacional e depreciação da nossa moeda desde início de 2020.

Os outros seis grupos que tiveram alta mensal em agosto foram: alimentação e bebidas (1,02%), Artigos de Residência (1,05%), Vestuário (0,94%), Despesas pessoais (0,68%), Educação (0,30%) e Comunicação (0,19%).

Na ponta contrária, gastos com Saúde e Cuidados Pessoais recuaram 0,29% após queda de 0,24% em julho.


RESULTADO REFORÇA VISÃO DE APERTO MONETÁRIO BEM ACIMA DA TAXA NEUTRA

O resultado do IPCA-15 acumulado em 12 meses, ultrapassando com sobras o teto da meta (5,25%), reforça a visão do Copom, de que seguirá subindo a taxa Selic na próxima reunião da autoridade monetária (22/setembro). Tanto na ata quanto no comunicado da última decisão, o BC sinalizou mais um aperto monetário de pelo menos 1 ponto percentual, o que levaria a Selic para 6,25% ao ano. E deixou em aberto a possibilidade de um aperto monetário ainda maior, que seria de 1,25 ponto percentual.

Subir juros se faz necessário, principalmente, para trazer nossa taxa de juros real para o campo positivo e assim, proporcionar apreciação da nossa moeda, o que teria efeito deflacionário no país, especialmente, sobre alimentos e transportes, os dois grupos com maior pressão inflacionária no acumulado em 12 meses, com altas de 13,59% e 15,66%, respectivamente.

Já para o grupo de habitação, que acumula alta de 11,53% em 12 meses, precisamos que as chuvas na primavera no Brasil venham com bons volumes, já que 70% da produção da nossa energia elétrica vem de fontes hídricas. Do contrário, novos reajustes na conta de luz deverão ocorrer.

Além disso, a escassez de chuvas nos últimos meses no país, tem levado os especialistas na área de energia elétrica afirmarem que não há dúvidas de que teremos apagão elétrico em 2022. A dúvida é sobre qual será sua intensidade. E isso colocará mais pressão inflacionária sobre a oferta de bens e serviços no país.

Portanto, é cada vez maior o risco de que a taxa Selic no país tenha que se aproximar de dois dígitos ao fim do ciclo de aperto monetário, infelizmente. Apesar do relatório Focus sinalizar que a Selic encerrará 2021 em 7,50% ao ano, já há instituições esperando até 9,25% para a taxa de juros no fim do processo de aperto monetário.

E ao se distanciar da taxa neutra (6,5%), o aperto monetário trará impactos negativos sobre o PIB no ano que vem. Por isso, o mercado já reduziu em 0,5 p.p. sua estimativa para crescimento em 2022, passando de 2,5% para 2%.

E esse impacto negativo é o preço a se pagar, por conta da demora em agir por parte do Bacen já no fim do ano passado, quando já era visível que a inflação não seria temporária. Quando se erra a mão em política monetária, o preço a pagar é sempre caro. E a expectativa hoje é que iniciaremos 2022 com novo aperto monetário. Ou seja, taxa Selic abaixo de 6,5% será coisa do passado, pelo menos, até 2023.

E finalizando, a expectativa de alta de juros reforça o fundamento baixista para o dólar no médio prazo, desde que Brasília não atrapalhe, algo que infelizmente tem ocorrido com certa frequência nos últimos dois meses.


VÍDEO GRÁFICO DO DIA
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